Proprietário denuncia poluição em área atingida por descarrilamento

9/12/2005  - Jornal da Manhã

Proprietário da área rural onde os 18 vagões da Ferrovia Centro-Atlântica descarrilaram, derramando 750 mil litros de substâncias tóxicas nas terras e no córrego Alegria, afluente do rio Uberaba, denunciou, mais uma vez, o aparecimento do produto que contaminou sua fazenda, hoje interditada pela FCA.


Segundo Baltazar Ribeiro, há dois meses o produto não aparecia, mas nos últimos dias, com as chuvas fortes, o produto começou a brotar da terra, escoando para o afluente. Ele convocou a Polícia Ambiental e especialistas do Meio Ambiente para retornar ao local e verificar a situação.


De acordo com o proprietário, a área está interditada por 10 anos, podendo chegar a 15 anos, e suas atividades rurais estão paralisadas. Segundo ele, exercia atividades leiteira e hortifrutigranjeira. Mas, com a contaminação da água, ele não pode mais usar o produto para sustento da propriedade.


O engenheiro de Segurança do Trabalho, Juarez Benedito Alves Ferreira, da Secretaria do Meio Ambiente, afirmou que hoje estará verificando novamente o local. De acordo com ele, a FCA e o Codau realizam monitoramento do solo e da água, mas que é preciso manter vigilância constante.


Caso seja detectada qualquer alteração, será realizada coleta de material para nova análise, tanto no afluente quanto no rio Uberaba, próximo à captação de águas.


Para Juarez, a natureza responde com a absorção do material, mas, como já era esperado, o local é muito argiloso, e como o produto é mais leve que a água, sobe mais produto. Mesmo assim é preciso analisar, e para isso existem procedimentos corretos a ser adotados.
Baltazar aguarda na Justiça decisão sobre o pedido de indenização requerido à FCA, uma vez que não poderá utilizar sua propriedade antes de 10 anos.