Fundo dos EUA contesta mudança em ferrovia
6/11/2005 - Folha de S. Paulo
O fundo de
investimento norte-americano Laif entrou na Justiça contra os fundos de pensão
Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal) para contestar a
reestruturação societária da Brasil Ferrovias, que envolveu R$ 1,1 bilhão em
dívidas e dinheiro novo dos fundos e do BNDES.
Ao se sentir prejudicado
com a diluição de sua participação na empresa após a reestruturação, o Laif
alegou que detinha o direito de preferência na compra das ações da empresa Nova
Ferroban S.A., controlada da Brasil Ferrovias e detentora da malha paulista da
antiga Rede Ferroviária Federal.
O fundo viu sua participação minguar ao
não converter dívidas nem aportar recursos na operação de salvamento da
companhia. Primeiro, o Laif buscou um entendimento com os fundos. Sem sucesso,
ingressou com ação na 3ª Vara Cível da Justiça de São Paulo em setembro para
assegurar o direito à preferência na compra de ações da Nova Ferroban. Os papéis
da Nova Ferroban migraram por um valor simbólico para a Nova Brasil Ferrovias
depois da reestruturação, fechada em maio.
A empresa constitui com a
Ferronorte a chamada Nova Brasil Ferrovias, holding criada para possibilitar a
reestruturação, na qual os fundos de pensão ficaram com 49%, e o BNDES, com
43,5%. O Laif, que possuía 16,5% da antiga Brasil Ferrovias, teve a participação
diluída para 1,6%. Os fundos de pensão, por sua vez, contestam, ao dizer que, no
entendimento deles, não há direito de preferência no acordo de acionistas em
caso de operação envolvendo sócios da companhia.
Segundo o diretor
financeiro da Funcef, Demósthenes Marques, a divergência entre Laif, fundos e
BNDES se deu em relação ao valor de referência da Brasil Ferrovias considerado
na reestruturação. Segundo ele, o Laif considerou-o baixo e queria elevar a
cifra. Marques disse que o argumento do Laif é que o valor arbitrado seria
prejudicial aos seus interesses, pois provocaria grande diluição de sua
participação.
Os fundos de pensão também tentaram elevar o valor de
referência na fase de avaliação, segundo Marques. O executivo disse, porém, que
a empresa estava numa `situação delicada` com patrimônio líquido negativo e que
o BNDES não aceitou elevá-lo. `Foi com essas condições que o BNDES aceitou fazer
parte do aporte e da conversão e tivemos de acompanhá-las`, disse Marques, sem
relevar o valor de referência da companhia.
Pelos termos da
reestruturação, os sócios convertiam dívidas em capital e aportariam novos
recursos para salvar a Brasil Ferrovias. Foi o que os fundos fizeram, ao colocar
R$ 375 milhões em dinheiro novo e converter R$ 115 milhões em dívidas.
O
BNDES entrou com R$ 385 milhões em dinheiro novo e converteu dívidas de R$ 265
milhões em ações da companhia.